Antes de mais, e que sirva para todos os esclarecimentos e mais alguns, nada me move contra a empresa Aplaudir, muito menos contra o João Pedro ou até contra a Santa Casa da Misericórdia de Santarém, entidade pela qual nutro o mais profundo respeito. Este meu desabado é o resultado dum mês de azia e até tem uma ponta de ficção.
A realidade tauromáquica em Santarém é triste. É um facto incontornável. E não é mais triste porque os aficionados derivam a sua atenção para outras actividades, que os ajudam a esquecer o abandono a que foram submetidos. No meu caso, quem tem ganho com a situação tem sido o Clube de Rugby. Não é que me enfade mas não era suposto, até porque passei uma vida a gerir tempo entre actividades, e sinto falta das indecisões se jogo de Rugby se Corrida de Toiros. Já lá vai o tempo, e infelizmente que assim é, que esperávamos pelos cartéis de Santarém para saber quando marcar um Torneio, ou então, quando em viagem de Rugby vindos do Norte ou Sul tudo fazíamos para chegar a tempo da tal corrida.
Ia eu na parte em que os aficionados em Santarém andam tristes…reforço, os aficionados, esta época em Santarém, não só estão tristes como paira no ar a revolta. E não é para menos! Somos um povo paciente, que até entende que a Praça é de gestão difícil, somos simpáticos, hospitaleiros mas caramba, não façam de nós palhaços, nem pensem que podem transformar a Celestino Graça num circo que abre só quando apetece ou convém. Há datas que são para nós nucleares e as corridas na Feira são incontornavelmente uma dessas. Não brinquem! Nós queremos ver o nosso Grupo de Forcados pegar pelo menos uma corrida de 6 toiros, é o mínimo de conhecimento exigido a quem está à frente da Praça. Sublinho o facto de dar voz numa perspectiva de utilizador, não sou testa de ferro de nenhum empresário, de nenhum grupo, não pertenço a nenhuma comissão pro-qualquer-coisa, não sou anti-nada, por isso reafirmo e enquanto aficionado e Scalabitano, que me sinto injuriado pelo que sucedeu, melhor, pelo que não sucedeu esta Feira e com a nossa praça.
É mau ter apenas uma corrida – corrida essa apontada para o segundo fim-de-semana quando a meu ver deveria ser sempre para o primeiro – mas é pior, é péssimo, uma vergonha mesmo, ter sido cancelada e não adiada…mais uma vez, meus Senhores, tratava-se da ÚNICA corrida da Feira, estamos em SANTARÉM e os Senhoras cancelam a data?! É igualmente uma vergonha constatar que a Praça na véspera não estava arranjada, não estava pintada, não havia uma única bandeira posta… enfim, não só é uma vergonha como é uma tristeza ver ao ponto onde chegamos e mais uma vez sem que ninguém diga nada, nem um pedido de desculpas , …nem um “vamos ver o que se passou e depois informamos”, nem um postal, NADA!
Meus Senhores, considero eu, que os aficionados Scalabitanos, os aficionados e defensores da Monumental Celestino Graça, merecem muito mais do que isto, muito mais que o silêncio. Depois não se admirem que hajam uns tontinhos em Santarém que já falem em implodi-la!
Estranheza total também quanto à própria constituição do cartel: se aqui poderão existir uma série de condicionantes e a saber; o gosto de cada um, as possibilidades financeiras das empresas, falta de imaginação, falta de conhecimento, ou até as agendas dos artistas, considero ser um “case study”, não ter o João Moura no cartel (bem sei que estava contratado para Reguengos nesse mesmo dia, mas esta situação devia ter sido previamente cuidado), cavaleiro que continua no activo e foi o mais importante marco da tauromaquia portuguesa no mundo, que celebra esta época 40 anos de alternativa, que essa (alternativa) foi-lhe concedida exactamente na nossa praça, uma praça onde sempre mas sempre teve cartel, praça onde toureou 7 toiros (actualmente chamadas de encerronas), uma praça e uma cidade que gostaria de ter encabeçado – e legitimamente, todas as homenagens e mais algumas que lhe pudessem vir a ser feitas.
Outra figura a quem Santarém deve homenagem, é a Fernando D’Andrade Salgueiro que também esta época celebra 50 anos de alternativa tirada igualmente na Monumental Celestino Graça. Como é possível não haver sequer uma alusão a essa efeméride. Um cavaleiro de dinastia, filho, pai e avô de cavaleiros de alternativa, merecia por tudo constar num cartel onde o povo de Santarém lhe pudesse render a merecida homenagem.
Bem, agora vem a parte ficção e a propósito deste triste fado, imaginei-me na pele do empresário da “Celestino Graça” e a poder contar com algumas alucinações:
- 1.º devaneio – poder voltar a Junho e à corrida da Feira;
- 2.º devaneio – construir um cartel para por no mínimo 6 mil pessoas na Praça;
- 3.º devaneio – convidar para esse cartel: Fernando D’ Andrade Salgueiro, João Moura, João Salgueiro, João Moura Jr, João Salgueiro da Costa e Miguel Moura, Grupo de Forcados de Santarém e toiros Grave;
- 4.º devaneio – tendo em conta a capacidade da Praça, possibilitar 3 preços, divididos por: 7,5€ pro Sol, 10€ para Sombra Sol e 15€ para lugar de Sombra, com 64.000€ não chegava para pagar este cartel ?!;
- 5.º devaneio – fazer um cartel bonito e apelativo como felizmente já se vê em muitas corridas. Desenvolver uma cuidada acção de marketing e divulgação, complementando o típico painel com o cartaz e que ela fosse totalmente patrocinada por parceiros;
- 6.º devaneio – estabelecer com o CNEMA, com a Câmara de Santarém e outros operadores locais, uma parceria onde pudesse existir uma “ponte” entre a Feira da Agricultura e a Praça, possibilitando que os bilhetes comprados num ou noutro lado, pudessem ter desconto imediato. Que houvesse no CNEMA um espaço dedicado à tauromaquia, aos símbolos tauromáquicos Scalabitanos e onde pudessem ser vendidos bilhetes para as corridas. Que pudessem haver transferes gratuitos do CNEMA pra Praça, contra a amostragem do bilhete da corrida e com a entrada pro CNEMA. Que a corrida pudesse ser anunciada como parte integrante do programa da Feira;
- 7.º devaneio – que houvessem outras actividades na Praça durante os períodos imediatamente anteriores à corrida; actuação de ranchos, da banda que faz a corrida, exposição de pintura, visitas guiadas e muito mais;
- 8.º e último devaneio – que Empresa, Santa Casa, Câmara, CNEMA, Aficionados, Artistas – voltassem a acreditar na nossa Monumental Celestino Graça e nas suas capacidades. Que assumissem todo o seu interesse e viabilidade.
Assim haja competência pra tal. Eu acredito e você?











